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sábado, 18 de dezembro de 2010

Deus me deu a mais difícil das tarefas humanas: ser mulher.Não sei se sei realmente o que é ser mulher.Aceitar os padrões ou rebelar-se contra eles,sempre na linha que separa o que a natureza deu e o que a vida proporciona.Sempre ao extremo.Maternidade não é a coisa mais importante do mundo,mas precisará de filhos um dia.Isso é verdade pra mim? Que tipo de mulher sou/serei eu?Já quis ser tantas...

Quis ser Pagu,Frida Kahlo,Carmem Miranda,Ingrid Bergman,Katharine Hepburn,Clarice Lispector,Monica Vitti,Anna Karina,Anita Ekberg,Claudia Cardinale,Catherine Deneuve,Helena Ignez,Rita Lee,Paula Toller,Penélope Cruz,Cat Power,Camila Pitanga,Scarlett Johanson,Céu,Ayo,Natalie Portman.Quis ser todas as mulheres cantadas por Chico Buarque.Beatriz,Bárbara,Ana de Amsterdam,Carolina,Joana Francesa,Lily Braun.Quis ser,e não sou.Ou sou um bocado de cada uma e não sei? Não sei.

Uma mulher que não sabe ser,é capenga e amputa sentimentos.Uma mulher que deseja tão ferozmente que acaba inibindo o que há de mais intenso.Uma mulher que morre a cada olhada para o chão,desejando muito olhar para o céu.Deseja o infinito mas está cansada demais e precisa dormir.

Deus me deu a difícil tarefa de ser eu.

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Por favor,algum amor que me liberte de mim mesma...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carta aberta para João - II

Daí que eu me senti sozinha e com uma bomba pedindo para estourar,saí pra tomar um chopp num bar próximo daqui de casa.Observei rapazes(você sabe que eu gosto de fazer isso)dos mais variados tipos.Suas pernas,suas vozes graves,seus sorrisos contidos.Suas histórias de trepadas homéricas,contavam uns aos outros,e eu logo lembrei das tuas.Ali pousaram Tiagos,Guilhermes,Augustos,Davis e Pedros.Além do seu Almeida,o garçom.
Eu estava sentada sozinha,numa mesa do canto esquerdo do bar.Procurava neles algo que me lembrasse você.Poderia ser o olhar,o jeito de falar ou de lamber os lábios depois de um gole de chopp.Até a maneira de se levantar da cadeira ou o jeito de colocar ou de tirar a jaqueta.Qualquer gesto que me lembrasse um certo João...
Como eu havia adiantado,eu estava com uma bomba doida pra estourar aqui dentro do meu peito.Meu corpo estava mandando sinais,e eu precisava acatar suas vontades.Quem mandou,João,me deixar sozinha,revirando no colchão? Gritando seu nome no meio da madrugada,e o senhor nada de aparecer?Quem mandou,João,me deixar tão tonta,tão apaixonada?
Tão tonta e apaixonada ao ponto de me fazer procurar em outros homens qualquer coisa que me lembrasse você.
Continuei sozinha um tempinho até aparecer um rapaz moreno e com ar decidido.Logo que ele entrou no bar,virei meus olhos instantaneamente pra ele.Notei que tinha mãos grandes e um olhar seco.As pernas eram longas e pareciam torneadas por partidas de futebol.Sim,eu consegui enxergar isso mesmo ele vestindo calça comprida jeans,que não era muito apertada.Só um pouco na parte das coxas,que já dava uma noção.
Depois de pedir seu chopp,seus olhos castanhos e frios pousaram em mim.Trocamos longos olhares até que ele se aproximou.Conversamos um pouco,pagamos as bebidas e saímos.Ainda posso sentir o peso da mão dele em meu ombro.Até então ele em nada lembrava você.Eu até estava gostando.Perdoe a sinceridade,João.Mas precisamos dela,lembra?
Ele me atraia de uma maneira vulgar,não tive como dizer não.Um simples toque de sua mão em meu ombro já fez meu corpo responder energicamente.Daí para as duas mãos dele passearem por todo meu corpo foi um pulo.M.soube como fazer.Sim,M.,vou chamá-lo assim nessa carta.O M. me fez esquecer um tal João por algum tempo.Trepamos sem qualquer culpa.Aliás,sou difícil com culpa,você sabe.Peço desculpas geralmente sem muita convicção.
Depois do orgasmo final,ele me beijou e se levantou .Conversamos enquanto ele se vestia.Não estava com muita pressa.Antes de ir,me beijou novamente.Percebi nele algo que estava em mim.Uma busca,uma bomba no peito querendo explodir.Vi que o olhar antes seco estava tristonho.Depois do beijo ele ficou me olhando,e vi que ele estava no mesmo barco que eu.Pude ver isso nitidamente no seu rosto,do mesmo jeito que ele,com certeza,viu no meu.Sorrimos um para o outro um sorriso cúmplice e solidário,como quem diz "sei bem o que sente".
Imagino que,neste exato momento,ele escreve uma carta para a mulher que ele ama,e que está longe.Tão longe quanto você está de mim agora,João.
E M. que em nada se parecia contigo,nem nos gestos nem nada,me fez lembrar do amor que sinto.Ele me lembrou do amor que é só teu,João.

Te espero sempre,não esqueça.Você não esquece...

Com amor,
Carol.

domingo, 7 de novembro de 2010

Amor.Quero amor no sentido mais intenso da palavra.Aquele amor atrevido,abusado,folgado feito gato.Aquele mesmo que chega de mansinho,sem que se consiga escutar seus passos.Amor que acaricia e que arranha.Que beija e que morde.Amor que cura e que arde.Que me tire o medo de voar,que me faça entender e sentir de verdade todas as letras de amor.Amor Chico Buarque,amor Roberto Carlos,amor Bethania,amor JP Cuenca.Amor que me faça gozar de todos os prazeres do mundo.Orgasmos múltiplos,olhos revirados,coração pulando,suor,saliva,mãos dadas,parceria,olhares cúmplices.
Quero amor,esse silêncio que grita.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Toque de Recolher ou Notas para sobreviver a uma guerra não oficialmente declarada

Fim de tarde num bairro suburbano do Rio de Janeiro.Começa um tiroteio -notícias de invasão ao morro vizinho- e você está em casa.Se desespera,não sabe se corre para os fundos, se joga no chão ou chora.Ok.
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Um pouco antes do tal tiroteio,houve fogos que a princípio eram inocentes.Mas não eram.Nada é inocente numa grande cidade em pé de guerra.Os fogos na verdade são uma espécie de alarme.É um sinal de toque de recolher:quem está na rua,corre para atrás de um carro ou para alguma loja,e se joga no chão;quem está em casa,corre para os fundos.Mas antes,certifique-se de que todos os membros da família encontram-se no lugar.Leve alguns mantimentos,para caso de fome.E,claro,se joga no chão.
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Enquanto as balas sobrevoam por cima das casas,vem à lembrança seus vizinhos mais chegados.Preocupado(a)? Telefone,então.Não tenha vergonha e desabafe com seu amigo-vizinho.Xingue os bandidos e os policiais,chore,diga que ama e se preocupa com a pessoa,que tem medo de morrer e etc.
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O medo invade até o mais valentão da rua.Deixe a vergonha de lado e segure a mão de alguém.Pode ser a mão da mãe,do pai,do irmão,da namorada...não importa.Segure a mão,e não solte.
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Agora,durma com esse barulho.Sonhar é o que fortalece em meio a barbárie.

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A louca da dona desse blog resolve escrever justo na hora em que Madureira,bairro onde mora,pega fogo.

sábado, 25 de setembro de 2010

...porque a gente passa boa parte da vida tentando buscar algum sentido para a pobre,ama,se descabela,se fode e tenta levantar junto com o sol,já que a lua mais derruba com tantos sonhos e suspiros que a desgraçada provoca.Queria eu escrever um poema hoje,mas tá difícil.A minha lua me derrubou.A minha lua de olhos castanhos e puxados me derrubou.Queria eu poder levantar linda e poderosa feito o sol -mas o dia amanheceu nublado e não me apareceu qualquer motivação.

domingo, 8 de agosto de 2010

-As coisas no seu devido lugar.

Olhando os livros na estante,começo a contar quantos são de poesia.Deixei o netebook carregando sobre a mesa,e o bule com água pra fazer um chá em fogo brando.Ouço tiros que parecem vir de armas pesadas.Aquelas coisas todas que falam na tv em relação a violência,tudo teoria.Meu pai sempre dizia isso,e agora sou eu.Aliás,a cada dia que passa,desde o falecimento de meu pai,noto grandes semelhanças de comportamento entre nós dois.A mania de ver televisão e não prestar muita atenção nos programas,exceto os jornalísticos.Aí eu digo:tudo teoria!Também herdei de meu pai o zanzar pela cozinha procurando algo,e voltando pra sala ou pro quarto sem pegar nada.Mas dessa vez eu tenho o chá.

4,5,6,7 com o do Ferreira Gullar...

Por que ele não aparece mais no msn?A minha agonia cresce toda vez que entro no msn e vejo que ele está off.Queria xingar o time do Flamengo pela última derrota,mas cade ele pra me acompanhar?Tenho que parar com essa minha ansiedade ou eu vou a falência por conta dessas barras de chocolate na geladeira.Ah,os bandidos sossegaram um pouco.Será que agora posso ir lá fora apagar a luz?

(...)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os homens.Os homens são sempre essas crianças birrentas,que teimam em não crescer.Os homens brincam e clamam por atenção.Há um conforto aparente no ser homem,o poder que lhes é permitido que parece nunca acabar.Eles se guardam mais do que as mulheres.Eles se escondem mais do que as mulheres.Eles tem medo do amor-sentimentozinho terrível,eles pensam.

O amor lhes chega sorrateiramente,e depois castiga,maltrata.Um peso no peito muito maior do que eles podem suportar.Uma criança se desespera quando perde seu responsável de vista em meio a multidão.O homem não suporta ficar sem sua amada.Ele corre pela rua,desesperado,gritando o nome dela.Ele chora e se joga no chão e tem medo.O homem é frágil como vidro.Ambos cortam,fazem sangrar.Mas quebram com uma facilidade espantosa.O homem e sua fragilidade escondida.Ele se guarda mais que a mulher.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O dia em que Saramago morreu

O sol havia se levantado bem maroto,bem ao estilo inverno de nascer.Eu estava bem desperta,para assistir aos jogos da Copa - o futebol e o seu poder de me tomar o tempo.Havia em mim uma esperança de um telefonema dele,querendo fazer algum comentário futebolístico.Ele sabia/sabe que eu era/sou a única menina com que ele pode conversar sobre jogos.Eu nunca reclamaria/reclamei/reclamo,ao contrário,eu gosto.Principalmente porque ele é quem fala.Eu tinha a esperança e ela me correu o dia.Como um sopro na minha nuca,que me acompanhou a partir de 12h30.E num estalo,voltei a escrever.A esperança,o futebol,o sopro e as letras no papel.

Ele me ligou:"Carol,Saramago virou imortal de vez".O dia não poderia ter sido mais bonito...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um lugar no Paraíso

Meia hora depois do jantar servido,já pensava em nós dois a longo prazo.Pensava em lhe servir o melhor vinho tinto de Portugal.Iria eu arrumar o quarto,perfumar levemente a cama.Queria lhe fazer caber no meu colo,e lhe ajustar ao meu corpo.Mas você nunca me deu mole.Nem nos meus melhores sonhos eu pude ter você.Nunca me chamou no msn,nem um feliz aniversário pelo orkut.Nem na internet pude sentir um gostinho de você,ainda que meramente virtual.

Menino,escute:o amor te espera bem na esquina.Europa,América do Sul,pouco importa.O que mais quero no momento é encostar tua cabeça nas minhas pernas e lhe massagear os cabelos;cantar baixinho sua música preferida da Joni Mitchell;lhe deixar falar dos feitos gloriosos do Flamengo e me divertir;te ver adormecer feito uma criança exausta depois de brincar o dia todo.Quero deixar cair sobre você todo o amor do mundo,o mais puro.Velar teu sono e segurar a tua mão,até meus olhos se fecharem.E poder garantir para nós dois um pedacinho do céu.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cresceu e apareceu...e não viu nada

Sempre que podia,bebericava algum uísque barato no boteco.Não era tão constrangedor ser flagrado completamente bêbado pelo chefe.Estava pouco se fodendo para aquele velho.Pouco se fodendo para a bosta daquele emprego.O ambiente do escritório lhe causava angústias e náuseas.

O uísque estava lá,lhe esperando.Chegou a pensar em trabalhar num boteco bem sujo.Seria praticamente um psicólogo.Imagina,um psicólogo!De loucos,travestis,prostitutas e cornos.Era o que queria...Muito melhor do que ficar olhando pra cara daquele imbecil e aturando suas broncas,seus preconceitos .

Sabia,porém,que o salário seria dolorosamente menor.Dolorosamente não pra ele.Mas para a mãe deprimida e seu filho que acabara de nascer,prematuro.Não entendia a pressa de seu filho pra nascer.Bebês não têm a menor noção das dores de cabeça desse mundo.


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um post,finalmente!!! texto nem tão bom assim,mas foi o q deu pra fazer no meio desse furacão em q me encontro.
como andam as coisas pr'ocês?

bjins=*****
Carolina L.

domingo, 21 de junho de 2009

Amigo Inverno

O Inverno chegou.De mala e cuia,para a não muito longa temporada de 4 meses.O meu amigo de solidão e esbórnia com vinho tinto ou conhaque chegou.

Bem vindo,querido.Quer um chá?Acabei de fazer.Ah,como eu queria lhe receber em Buenos Aires.Ou Paris.Londres também é uma ótima,sei que você adora o Reino Unido,eu também-apesar de ainda não ter ido lá.O quê,Budapeste? É,pode ser...

Ah,meu querido Inverno,adoro-te muitão.Mesmo me causando essas dores nas costas e no joelho direito,muito sensível ao frio.Mas eu te amo,como também amo seu primo Outono.

Gente,meu amigo Inverno tá aí,bora comemorar.E daí que eu sou carioca?!?

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Inverno,conhaque,jogo do Brasil contra a Itália na tv....ê domingão!!!

sábado, 25 de abril de 2009

Ação,Reação

Tantas vezes me torturei por ser alguém que não é tão legal como os outros pensam.De não ser tão calma,nem tão forte,nem tão cheia de atitude.Eu queria muito ser o que as pessoas pensam que eu sou.Mas o que fazer com minhas reações,meus instintos?

Se recebo uma crítica,fico tonta,como quem acabou de apanhar.Achava eu que não gostava de receber críticas.Mas na real,o que eu não gosto é de concordar,de admitir que a pessoa está certa.Eu não gosto da verdade que eu não quero mas preciso ouvir.Daí,eu começo a me torturar por achar que eu devesse aceitar melhor as críticas.Ao mesmo tempo eu penso "não,eu não sou assim...fulano está certo,mas não é exatamente isso".Aí percebo todas as minhas contradições.
Sou confusa,medrosa,divertida,aparentemente estável,insegura pra caralho,sensível,e sei ser fria como gelo.Não sei o que é equilíbrio.

O meu peito dói e pesa que nem qualquer uma daquelas pedras do Arpoador.São minhas as reações mais explosivas e ao mesmo tempo comedidas.O que eu posso fazer?

Como posso melhorar? Eu posso melhorar?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Santo Tempo

Quando me vi parada na esquina,me dei conta de como me faz falta toda aquela afobação.Aquela taquicardia que me dava quando um menino bonito se aproximava,coisa dos meus 15 anos.Mas nem de longe me incomoda o fim da adolescencia.Gosto do tempo passando no relógio,os dias passando,o meu rosto mudando.

Não aparento mais que 18,é verdade.Do alto dos meus quase 21,pareço uma menina dócil.Mas sei que minhas expressões mudaram,assim como minhas atitudes.A tranquilidade chega para todos--a responsabilidade também.

Afobação,taquicardia e medo são só mais um retrato guardado no álbum.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

É assim que é...

Vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Leminski


Minha vida é assim:andar pelos becos do subúrbio,cheirar fumaça que sai do ônibus 298,estudar espanhol,estudar ele,me estudar e não aprender porra nenhuma-de mim e dele.

Não tomo um sorvete decente desde os 16 anos,e ele me explica as maravilhas da física.Meus pais têm pouca grana e muita conta.Minha cabeça dói como sempre.A rua insiste no cinza,e as nuvens insistem em chover(enquanto continuo a esquecer o gurda-chuva).

sábado, 11 de abril de 2009

Super Heroína

Ele achou que,quando crescesse,viraria um super-herói.Tal qual o vizinho bombeiro.Tal qual o tio médico.Mas seu pai era ausente,e ele não sabia controlar a falta que sentia do seu velho.Sua mãe bebia muito.Chorava muito.Ele a amava muito.Filho único,queria ser o super-homem do bairro.

Ele cresceu,fez 20 anos.Encontrou um alívio pra toda a sua dor.Era uma coisa que o deixava solar nos primeiros momentos.Era sua mina de fé,tinha com ela um relacionamento aparentemente estável.O suposto amor dela entrava no coração dele através de cada veia do seu corpo.E ele se sentia muito bem.E ele a procurava todos os dias.Ela sabia ferver seu sangue.

Os dias se passaram e ele não cessava em procura-la.Mas ela nem queria tanto.E ele a usava.E ela o escravizava.Ele vivia pelas ruas com seus olhos arregalados.Sempre com a sua mina na veia,fervendo todo o seu sangue.Os vizinhos perderam a conta de quantas vezes viram o rapaz ser internado por causa da amada.Ele não tinha mais nada.Nem fome,nem vida própria.Ele se perdeu na fumaça cinza que o rodeava.

Era pra ele ter feito 21 esse mês.Era pra ter sido um super-herói.Mas ele perdeu na queda de braço para aquela que ele amava.Era pra ela que ele vivia.Ele se deixou levar por sua mina,sua garota de salto agulha.Sua super-heroína.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Uma banana pelo teu pensamento

Te observei da varanda,fumando teu Hollywod,na santa paz de Lúcifer.Pensava eu em lhe pedir emprestado o seu disco preferido do Lou Reed.Eu estava usando um batom vermelho paixão,e vi que você estava dark.Seu olhar era tão fixo na lua que fiquei com ciúmes dela.Tão prateada e intocável lá em cima,em meio a nuvens.Pensei que ela deve ser muito infeliz.Eu sou tão real para você levar na conversa e me convencer a dormir contigo por pelo menos 20 anos.E nem me ama.Também não te amo,mas te quero com uma paixão sem tamanho.Eram 2 horas da madrugada,e eu só queria o vai-e-vem do teu corpo no meu.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Lembrança(Saudade que faz Retornar)

De manhã bem cedo,pegou o carro e rumou a Petrópolis,sua cidade do coração.Queria ficar com a avó,que,com o falecimento do marido,estava sozinha na casa florida.Esperava a chegada do neto querido.Ele guiava seu carro muito atentamente.Mas pensava muito naquele jardinzinho na entrada,e aquele cheiro de bolo de cenoura fresquinho.Mesmo ainda distantes,eram unidos pelos ventos frescos da saudade.

Ele pensava o tempo todo na coleção de discos de jazz do falecido avô.Quanta saudade.Lembrava dos seus 11 anos na casa dos avós.Enquanto sua irmã e seus primos brincavam pelo jardim dos fundos,ele era guiado pela voz de Ella Fitzgerald,a preferida do avô.Logo se tornaria a preferida dele também.

E aquele frio mambembe de Petrópolis...que agradável!Precisava sair do Rio,queria usar os casacos dados pela a avó.E ouvir a presença do avô naqueles discos de jazz.A falta lhe pesava os ombros e lhe roubava os dias no apartamento.

(...)

Chegando ao seu destino,enfim.Abraçou a avó no portão,e foi entrando lentamente.Quis sentir o perfume de cada flor naquele pequeno jardim da entrada.Chegou à sala,sentou-se no sofá.Fez um movimento com a mão esquerda no cabelo que fez a avó lembrar do saudoso marido.Ela sorriu.Avó e neto se olhavam profundamente,dividindo todas as lembranças.Ela perguntou se o neto queria um pedaço de bolo de cenoura que ela acabara de fazer.Ele fez que sim com a cabeça e sorriu.

Por 15 segundos o silêncio foi prova de amor total à saudade que faz retornar.