sábado, 11 de abril de 2009

Super Heroína

Ele achou que,quando crescesse,viraria um super-herói.Tal qual o vizinho bombeiro.Tal qual o tio médico.Mas seu pai era ausente,e ele não sabia controlar a falta que sentia do seu velho.Sua mãe bebia muito.Chorava muito.Ele a amava muito.Filho único,queria ser o super-homem do bairro.

Ele cresceu,fez 20 anos.Encontrou um alívio pra toda a sua dor.Era uma coisa que o deixava solar nos primeiros momentos.Era sua mina de fé,tinha com ela um relacionamento aparentemente estável.O suposto amor dela entrava no coração dele através de cada veia do seu corpo.E ele se sentia muito bem.E ele a procurava todos os dias.Ela sabia ferver seu sangue.

Os dias se passaram e ele não cessava em procura-la.Mas ela nem queria tanto.E ele a usava.E ela o escravizava.Ele vivia pelas ruas com seus olhos arregalados.Sempre com a sua mina na veia,fervendo todo o seu sangue.Os vizinhos perderam a conta de quantas vezes viram o rapaz ser internado por causa da amada.Ele não tinha mais nada.Nem fome,nem vida própria.Ele se perdeu na fumaça cinza que o rodeava.

Era pra ele ter feito 21 esse mês.Era pra ter sido um super-herói.Mas ele perdeu na queda de braço para aquela que ele amava.Era pra ela que ele vivia.Ele se deixou levar por sua mina,sua garota de salto agulha.Sua super-heroína.

Um comentário:

Gabriela Rodrigues. disse...

Ei, esse fim de semana assisti pela primeira vez Traisnpotting, e tinha lido esse texto... lembrei do conto em várias partes do filme, e que filme e conto fortes por sinal...
só não há explicitamente uma morte ´por overdose no filme. Mas é perceptível como resistência e drogas sintéticas são coisas um tanto inconcebíveis juntas...